Você nunca vai saber a forma odiosa do quadrado que existe no formigueiro

O fundo da bacia esconde um sortilégio que jamais foi visto em todas as dimensões do mundo, dentro ou fora da sua anestesia neural. Eu te digo porque eu sei, e eu sei quando você acorda todos os dias querendo mudar o curso dos asteróides e dos anéis de Saturno, ninguém diz que é possível, mas se é impossível, por quê você pensou nisso?

O ódio tomou conta da sua boca que ferve em tantos tons que a sua imagem imaculada foi pra dentro do sangue da sua gorjeta. Não era pra ter existido isso antes, eu sei porque te explico toda vez que não sei. E agora a sua mente está entorpecida do que foi misturado antes do agora. Que horror de se saber o que os dedos caminham e percorrem num rumo tão anatômico do defunto. Eu quero te dizer imediatamente pra fugir do cheiro da morte, pois o cheiro da morte pode ser aperitivo às vezes, espetado em uma mesa de frios, junto do presunto parma que agora dissolve no seu suco gástrico. Também sei de quando você quer comer burrata, sua fome de miséria é atingida por uma torre tão alta quanto Pisa, mais pra longe do que qualquer torre europeia pode te levar além do infinito do horizonte, ou do horizonte do infinito.

Não queira saber do que eu quero te contar, porque quando você souber do que a boca de um defunto espasmar a verdade do mundo, você não vai mais querer pertencer a lugar algum, nem quando o Sol se tornar gélido e toda a vegetação da Via Láctea se acabar. Você acha que vai pra Marte, mas não vai, você vai ser congelada e sentir cada grão de gelo percorrer o ínfimo da sua alma. Eu vi na esquina quando aquele canguru de todas as formas virou a fornitura do infinito. Ele tinha um tom tão distante e destoante, que quando os olhos percorreram sua carapuça, todo mundo se assustou da dor que ele poderia trazer pro Mundo.

Eu tenho dentro de mim uma coisa que eu vou te contar e eu quero sair do torpor do fundo do poço sujo e bolorento. Depois de amanhã todo mundo vai existir dentro de um só botão que gruda no meio do seu rosto. Esse botão tem três furos, não são quatro, porque três é o número sagrado, e todo mundo vai morar dentro desse botão, tão grande e brilhoso porque grudou-se na roupa do Rei dos âmagos do fim do planeta Vênus. Ele sabe o porquê do botão dele ser tão grande e todos vão querer existir no ínfimo da coexistência deste botão na face da terra. Porque a terra é pó dourado e a água que preenche toda a sua vida vai evaporar.

Sabia que o mundo é mais quadrado do que a sua cabeça pensa caber? Eu te digo isso porque vi todas as formas dos quadrados dos Mundos, e todo mundo que não é quadrado é retangular, pode ser um losango, pode ser um trapézio, mas nunca vai caber dentro do preto dos seus olhos, que soltam farpas e arranham quem quer que olhe pra você. Seu olhar distorcido de cobras estonteantes, tão negras que obscurecem até a estratosfera. E eu te digo novamente, seu cárcere será aberto, mais aberto que a privação do fim da escuridão, porque as letras que você conhece não formam nenhuma palavra, tamanho é o perpendicular quadrado da sua mente.

Eu te odeio. Te odeio tão profundamente que poderia pegar qualquer fruta da prateleira pra infligir as Leis que regem toda a atmosfra de um formigueiro, porque as formigas regem as leis de toda exatidão fora daqui, eu já vi, e nunca vou te mostrar tudo que eu vi dentro de um formigueiro, pois o fogo da vida se explora tão profundamente que o mundo sequer sabe de tudo que você gostaria de ver e jamais vai ver, porque você é pérfida e malvada e mal acostumada com todos os sabores que a vida pode te proporcionar, mas você insiste em tomar a forma quadrada da vida para alfinetar todos ao redor de um comércio qualquer que foge da matemática que transforma o fim em fim. E além do fim, o infinito sequer trocou uma palavra com o começo de tudo, desde quando a água deixava de ser sólida e se tornava o líquido vital que vai acabar com o seu sorriso.

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