De todas as bolhas do mundo eu quis o silêncio do fim

Os sinais de manteiga derretida que cabem no esboço da sua janela é um alarido. E a quantidade dos amenos são incontáveis. Estes homens sabem de tudo. E sempre se sabe algo. É cansaço saber.  Torna-se insabido. A sabedoria de uma alegoria beira o fim das contas. Mesmo assim a lustrosa soa mais alto que o sino da capela. Depois de cinquenta séculos uma coisa surgiu no fim do caixão. De todos os males do mundo não se sabe mais como retomar. Debaixo da terra a água é mais doce que o colo da lagartixa, pois muito se sabe que quando borboleta, faz-se uma ventania além do fim do mar.

Quando eu voltar eu vou contar a minha existência pútrida de margens assintomáticas. Ao que veio ver o tamanho da lombriga que eu engulo todos os dias de café da manhã. De almoço pode ser vermes, ou minhocas. Prefiro as coisas pastosas. Sou assim meio goleiro de pedras criadas nos rins dos titãs. Eu gosto de agarrar o que não atravessa a alma, porque me dói muito saber que o fim do mundo pode acontecer daqui duas horas ou daqui duzentos séculos, eu sei quando vai ser, eu só finjo não saber. Desde que a imensidão se desfez, foi por esse motivo que ninguém toca o cerne da goteira.

Findar o espaço de tudo que cabe dentro já é mais grosseiro do que uma baratinha rosa, eu gosto das verdes, mas a vermelha cai bem também no estômago. Foge de tudo por menos que o tudo não saiba mais que o desconjunto registro de água. A luz também incandescente ressarce o meio-fio da linha que gritou ao redor de Minotauro. Por assim seja, o labirinto dos estrumes me fazem gargarejar as ostras mais mentirosas de uma cabeça torta. As rugas gritam e os rugidos se entrelaçam, eu gostaria de silêncio, porque quando todo mundo começa a falar ao mesmo tempo do surgimento de uma cria parida, eu não me contento em saber o que existe aqui, por todas as vozes conjuntas providas de uma criança, repentina aparição. O laranja da mão se explode em látex e o grosso modo de um monstro o engolir seria mais proveitoso de me livrar destes infortúnios.

Amanhã será o que já gostaria de mostrar no aqui-depois. Claro que o calar das vozes me apeteceria. Some bem, e vá, pra dentro de um buraco de aranha que me concede o desejo fétido de morrer em vão. As bolhas que tomam tantas formas, bolhas de sabão, bolhas de sarampo, bolhas de doenças, bolhas de plástico, bolhas de nuvens, bolhas de universo, bolhas de fervura, bolhas de galáxia, bolhas sociais, bolhas de vidro, bolhas de água, bolhas de areia. São tantas bolhas no mundo. Me fascina saber que vou acabar com tudo isso quando eu bem quiser. Sou dono de todas as bolhas. Sou a própria bolha. Que emerge, que formiga, que vaporiza, que cresce, que ascende. Sou bolha.

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