Depois da meia-noite do intermédio que causou a dança das mortíferas, eu pude ver com toda certeza a esperteza da balança. Desde que eu vi pela centésima vez o fio de tear da Abóbora, esbocei o fim da causalidade entre o sim e o mais que o sim, sempre sim além do sim, passado pelo cinzar das dores.
Fugiu de dentro de mim todo o ruído pertinente de um gigante, aos temores da surdez que o deixou cego, eu enfrentei todos os males proferidos por aquele coração intransigente. Por todos os males do mundo que cobiçou a modelo da Morte, eu fiz por merecer o tiro fatal de dentro da verruga, absurda, grande, enorme, que nunca se fez tão presente na vida depois de meses incumbida em criogenia. Eu explodi os vasos de sangues profundos até depois do escarnecimento de chicletes abissais. Abismo que correu na veia ao som de tudo que foi proferido e nunca ouvido.
Cede ao raiar do vento os olhos que me fizeram cegar-te. Depois de tantos anos imerso numa contusão tão obscura… Digo-te que a mim me cabe o olho gigante de uma criatura mais medonha que o próprio medo. Nunca mais retome a mim o que te fez soar o mundo de tão fúnebre assintomático, porque eu, eu que nunca vi o fim, quero saber mais de tudo que foi para além da compreensão do não-humano.
Disso você sabe, mais que o sabido de outrem, porque apesar da crosta gigante de um olho envernizado, eu enxerguei pelo túmulo da vida, abaixo das cinzas de um peixe cremado no gigantismo de uma nação, ao fim do berro de um escorpião que foi também abdicado ao fim.
Todos os dias é o torpor da ausência de uma alma que foge o albatroz de asas fumegantes, eu também quero envernizar a crosta do meu olho, para poder te enxergar com a profundeza cósmica do outro lado da Vida. E do que tem entre as duas coisas ninguém saberia ceder ao término da avalanche de gomas alaranjadas. Apenas suga todos os sumos da lesma que se derrete numa dança atrás do seu esôfago, para além do suco que desce ao gancho de uma razão oblíqua.
Por todo o mundo da realeza canceriana, pois bem que vi aqui o fim do eterno, além da visão turva de uma catarse e telhas abandonadas, ventanias que correm para além-céu. Quero ver com teus próprios olhos o que eu não conseguia ver além de mim. Você sabe mais que o sabe-tudo, e eu sei que tudo-saber nem em vão cabe a destreza, ainda assim, te vejo aquém da opção longínqua da certeza, que mais mal faz do que o calor das montanhas pitorescas da nevada.
Vais que a ti fazes o meu olho flamejando arder a cada sílaba. Quero retomar às crostas da minha mente, desmudar os ouvidos para cada tom que o cinza me fez percorrer do buraco azul. Ninguém além de todos saberia dizer, muito menos além de tudo. Ao que o vento soprar, alegre o corpo que queima em águas descendentes, para mais abaixo de raízes não-nascidas.
