Que a vertigem tome controle e me tire do mundo

Verde que escorre e depois volta pra dentro do pacote de leite na prateleira do fim do mundo, porque ninguém mais sabe quando vai acontecer outro tsunami que vai destruir até a gota d’água que cai da terra direto pro inferno. E depois do inferno tem algo que mal se sabe possuir o azul borboleta de outra dimensão. E quem sabe mais que isso, sabe menos do que nada, e o nada ninguém vai te dizer, porque a voz do além se dissipa dentro da ponta da caneta, e você sabe que a ponta da caneta é azul anil, ou preto decadente ou vermelho sangue e o sangue, depois de você se banhar de bordô, ele penetra cada poro da sua claustrofobia e ninguém mais pode saber de si quanto menos de todos. Eu te avisei, e todos te avisaram, a sua cabeça roda, a vertigem de desinteressar até a outra gota de poluição que volta pra dentro do fiapo da agulha. Ria, ria mais, e verá que quando sua mãe te desenterrar de dentro do chorume, ninguém mesmo, e dessa vez maior que o ninguém da exatidão da parabólica, ninguém vai poder te salvar. A antena corre os sinais vitais pra outra estratosfera e você sabe, sempre sabe, que a radiação chega através do latido de um cachorro de rua, de cor dourada, enorme como todo o mundo já foi antes de ser o que nunca foi. Não me diga isso, nunca mais, porque sua cabeça vai girar, a vertigem vai voltar e quando você cair, ninguém vai pegar pelo seu pé suado, e sujo, e nojento, e cadavérico.

Volta pra dentro da terra, e da Terra também, como quem nunca quis sair do buraco negro que abriu no fundo do seu umbigo, e fétido, umbilical e póstumo, e claro que sim, eu quero a borboleta abrindo asas pra fora do colar que está atrás do seu queixo. A mochila que entra no seu coração nunca mais vai sair de dentro das letras que percorre o medo de estar dentro do seu ânus. A cabeça que escorre vai além das flores vermelhas que são maravilhas do Sol azul. Quem quer saber isso ou aquilo quando se sabe de nada em lugar algum. O rosa também tem vontade de saber, porque você se acha demais para entrar na cera quente das lamúrias da morte até depois da morte. Pode ir, pegue a estrada desértica e coma toda aquela areia que você se alimenta por simbiose através da respiração do gigante negro e robusto que entrou no buraco da estrela cadente que todo mundo já viu e você diz que não vê. Por que quer ver o visto do desvisto? Poupe-se a si e a mim e ao mundo dessas lágrimas estonteantes de gosto tão amargo e que soa tão grotesca. 

O grito dessas lágrimas é inaudível na lonjura dos oceanos pacíficos, que ninguém sabe se existe paz e se o pacífico vai tomar conta do mundo quando o mundo não for mais mundo, e o depois do mundo parar de existir nessa lágrima que escorre a sua face direita. Olhas que horror, que asco de se ver, uma lágrima da cor da sarjeta escorrer pra fora deste olho remelento o que eu jamais quereria ver na minha vida, um olho de pavor, um olho esbugalhado que grita um som tão agudo que todo o mundo foge ao redor e explode, explode de ódio, explode de dor, explode de raiva e grita, grita mais, porque se você quer ser visto pelo porquê do mundo, agora você grite água que explode e escorre. Que chato que horror. Não quero ouvir mais isso e tive que parar tudo para desentupir os tímpanos dessa desgraça que você implantou no meu ouvido, como um chip bestial que veio de uma tribo distante do passada além do passado, porque o futuro já existiu e todos sabemos que isso é só uma ilusão, e que a existência sua ou minha pode dissipar a terra e a Terra num piscar de lágrimas, e que eu não quero entender nada do que suas lágrimas de cores anis e cores aurais vão dizer, porque são falsas. Suma, e suma pra sempre de perto de mim. 

Ei, que você acha que pode conter todas as cores do mundo, até dos gatos, dos pararraios, das gotas que não saem somente dos seus olhos, mas da cultura imortal do planeta mais longe que a exigência do faroeste. Eu juro pra você, que toda abóbora vermelha da face da Terra vai parar de nascer, e quando isso acontecer, a abelha rainha, a primeira abelha que nasceu no mundo, vai ter uma cor jamais vista, vai se transformar em holograma, vai virar um crachá que abastece toda a água e todo o ar do mundo, porque você vai ser cobrado até para respirar, ou você vai morrer. E quando você morrer, eu vou rir, porque suas lágrimas foram em vão, e elas não vão virar oxigênio, porque eu vou comer todo o seu oxigênio até o seu azul desaparecer e você vai ver, como eu vou rir dessa vez, e você vai me pagar cada O que eu tomar de você, cada letra O, todos os Os. O¹ ou O². Foda-se você pra sempre e que sua cabeça também encontre a letra O e adentre dentro de todos os Os do mundo.

Não quero saber nunca mais o círculo perfeito que bate no carro e explode um caminhão de corrida silvestre. A framboesa que ele atropelou também tinha vida e você sabe mais que ninguém que a vida é fugaz enquanto até o coelhinho da contradição se mantém vivo no horizonte da aurora e da Aurora também. Seu vampiresco. Seu canário. Seus bichos de outra dimensão, e distensão também, até porque seu músculo explode toda vez que você geme e grita. E o azul volta. As lágrimas voltam. O grito volta. E meu riso sempre vai voltar contra você e toda a morte que percorre seu corpo gigantesco, gutural do tamanho de uma roda gigante que saiu diretamente de outro país mais pra lá de Londres ou até mais pra cá do Rio, e de dentro do rio também, porque até o boto que é rosa fica azul, e você mais que ninguém saberia disso, porque você sabe tudo, como você mesmo diz a todos os quatro ventos de exoplaneta do lado da caligrafia humana.

Você vai sumir daqui. E eu vou rir. O mundo vai saber que tudo é imortal. E toda morte tem um expurgo ínfimo de Deus, de todos os deuses que preenchem seus átomos, porque são milenares e milhares, até bilenáres, de bile, de todo o capeta que existe na imensidão do não. Te falei tudo e não te falei isso: não. Pra sempre: não.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima